Edição Atual
O conjunto de pesquisas aqui reunidas revela a complexidade do mundo contemporâneo e a urgência de olharmos de forma integrada para os desafios sociais, ambientais, urbanos, educacionais e até espirituais que moldam a experiência humana. Cada estudo, à sua maneira, ilumina pontos críticos que exigem reflexão profunda e ação responsável.
No campo urbano e ambiental, o estudo sobre o ‘abastecimento de água no bairro Jardim América’ evidencia como o crescimento populacional e a verticalização urbana pressionam sistemas essenciais. O diagnóstico é claro: sem planejamento antecipado e soluções técnicas e normativas adequadas, o risco de colapso hídrico se torna real. O caso do Jardim América é emblemático de muitos bairros brasileiros que crescem mais rápido do que sua infraestrutura suporta. A sustentabilidade urbana exige decisões corajosas hoje para prevenir crises amanhã.
Na direção oposta geográfica, e em um cenário de desafios igualmente profundos, encontra-se a pesquisa sobre as ‘dificuldades de implantação de tecnologias de saúde na Amazônia’. Embora o Sistema Único de Saúde seja universal em premissa, a realidade amazônica revela desigualdades persistentes. A logística adversa, a falta de profissionais e a precariedade estrutural ampliam a vulnerabilidade das populações. Nesse contexto, a tecnologia não é simplesmente solução; é também um desafio, pois demanda infraestrutura que muitas vezes não existe. A Amazônia nos lembra que equidade em saúde exige mais que políticas: exige presença, investimento e respeito às realidades territoriais.
É também nesse campo socioambiental que se insere o estudo sobre a ‘caracterização pluviométrica da região nordeste do Vão do Paranã’, no estado de Goiás. A análise climática realizada entre 1969 e 2024 revelou importantes variações espaciais e temporais nos regimes de chuva em Posse, Flores de Goiás e São Domingos, evidenciando médias anuais entre 1.132,1 mm e 1.371,3 mm. A forte sazonalidade típica do Cerrado, marcada pela concentração das precipitações entre novembro e março, convive com eventos extremos — secas prolongadas e chuvas intensas — que afetam diretamente o planejamento urbano, a agricultura e a segurança hídrica regional. As tendências de redução das precipitações em alguns municípios apontam para a influência de mudanças climáticas regionais e reforçam a necessidade de monitoramento contínuo e estratégias adaptativas de gestão dos recursos hídricos. Trata-se de um alerta técnico e científico de alto valor para políticas públicas e obras civis em áreas vulneráveis.
Enquanto isso, no universo da ‘educação’, o relato reflexivo sobre o estágio supervisionado expõe o abismo entre teoria e prática na formação docente. Os obstáculos enfrentados em escolas públicas, métodos tradicionais arraigados, falta de contextualização pedagógica, infraestrutura limitada e ausência de apoio dificultam a construção de uma prática realmente transformadora. A partir do diálogo com Freire e Libâneo, emerge a convicção de que ensinar exige compreender as realidades dos estudantes e das instituições, superando visões idealizadas e promovendo uma pedagogia comprometida com significado e humanização. A educação continua sendo o espaço onde mais se evidencia a necessidade de alinhar discurso e ação.
Também no âmbito ambiental, o estudo sobre ‘cosméticos vencidos em domicílios’ alerta para um problema silencioso, porém crescente. Entre 2014 e 2018, aumentou significativamente o acúmulo desses produtos, que não recebem destinação correta e acabam contribuindo para a contaminação ambiental e riscos à saúde. Em um mundo que consome cosméticos de forma massiva e acelerada, o descarte responsável torna-se não apenas recomendação, mas dever socioambiental. Informação, educação do consumidor e políticas públicas são pilares indispensáveis para mitigar os danos já em curso.
Por fim, o texto “Eu creio na morte eterna e nunca em um castigo sem fim” traz uma reflexão espiritual que dialoga com questões éticas e filosóficas profundas. A doutrina da morte eterna, compreendida como destruição definitiva dos ímpios em vez de tormento eterno, oferece uma leitura teológica que enfatiza a justiça divina como restauradora e não torturante. Apesar da diversidade doutrinária dentro do cristianismo, permanece a convergência em valores essenciais: esperança, justiça final e vitória do bem. Em um editorial que reúne temas tão distintos, essa reflexão lembra que, além de políticas e técnicas, o ser humano busca sentido, propósito e coerência moral para interpretar seu lugar no mundo.
Em conjunto, todos os estudos apontam para uma conclusão maior: Nossas escolhas, urbanas, ambientais, educacionais, sanitárias e espirituais, moldam o futuro. Planejar, refletir e agir com responsabilidade é o caminho para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável, que considere não apenas estruturas físicas, mas também pessoas, territórios e valores.
Obrigada pelo profissionalismo dos avaliadores e dedicação, assim como os colaboradores e leitores da revista “Gestão & Tecnologia” da Faculdade Delta, que foram fundamentais para o sucesso desta edição.
Prof.ª Dr.ª Lindomar Guedes Freire Filha (ID: https://orcid.org/0000-0001-7658-2842)
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